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Demonstração de Criptografia
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Guia Educacional: Fundamentos da Criptografia
1. O que é Criptografia?
Criptografia é o processo de transformar uma mensagem legível (texto claro) em uma mensagem ilegível (texto cifrado), de modo que apenas quem possui a chave correta possa reverter o processo.
2. Criptografia Simétrica
Neste projeto, usamos criptografia simétrica: a mesma chave é usada para criptografar e descriptografar. Isso significa que o remetente e o destinatário precisam compartilhar a mesma chave.
3. Algoritmos Implementados
- Cifra de César: Desloca cada letra por N posições no alfabeto. Simples, mas vulnerável.
- Cifra de Vigenère: Usa uma palavra-chave para variar o deslocamento. Mais segura que César.
- XOR: Operação bit a bit com chave. Base para muitos sistemas modernos.
- AES-256: Padrão avançado. Usado em sistemas reais de segurança.
- E2E (RSA-2048): Chave pública cifra, chave privada decifra — só o destinatário lê.
- ECC (curvas elípticas): ECDH P-256 + AES-256-GCM — a base do TLS moderno e do WhatsApp.
3.1 Cifra de César (Rot-N) — em detalhes
A Cifra de César substitui cada letra por outra que está N posições à frente no alfabeto, com um deslocamento fixo para toda a mensagem — por isso também é chamada de Rot-N (rotação por N). A troca gira como uma roda: depois do "z" volta ao "a". A tradição atribui a Júlio César o uso do deslocamento 3 em suas ordens militares, o que deu nome à cifra.
Exemplo (N = 7): A→H, B→I, C→J ... T→A, U→B. No texto de exemplo, a letra "o" vira "v" e o "i" vira "p" — então "oi" cifrado fica "vp". Para voltar ao original, basta deslocar 7 posições para trás.
Curiosidade — o famoso ROT-13 (N = 13): o alfabeto tem 26 letras, então deslocar 13 é ir até exatamente a metade da roda — e 13 + 13 = 26 = volta completa. Por isso, cifrar duas vezes seguidas com ROT-13 restaura o texto: cifrar e decifrar são o mesmo passo, sem chave secreta (todo mundo sabe que é 13). É por isso que a internet usa ROT-13 para esconder spoilers: atrapalha a leitura casual, mas não protege nada. Veja o alfabeto partido ao meio — cada letra pareada com a que está 13 posições à frente (a troca é de ida e volta):
A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z
Na prática, com o nosso texto: "oi" → cifra com 13 → "bv" → cifra com 13 de novo → "oi" ✅ voltou ao original. Já com 7: "oi" → "vp" → cifra com 7 de novo → "cw" ❌ — por isso, para desfazer o N = 7 é preciso deslocar 7 posições para trás (é exatamente o que o botão "Descriptografar" faz).
- A chave: um número de 0 a 25 — só existem 26 chaves diferentes. Chaves maiores repetem o ciclo: 50 equivale a 24 (50 ÷ 26 sobra 24), e chaves gigantes valem pelo resto — qualquer tamanho funciona desde que se use a redução módulo 26.
- Por que é fraca: a força bruta testa as 26 chaves em milissegundos; além disso, a frequência de cada letra no idioma denuncia o deslocamento (ataque estatístico).
- Nesta demonstração: a chave viaja junto com a mensagem (criptografia simétrica), por isso a Sala ADM consegue decifrar o que você enviar com César — em uma cifra de verdade, a chave jamais viajaria junto.
Linha-mestre: "ROT-13 não esconde o texto de quem quer ler — só evita que alguém leia sem querer." A segurança protege contra um adversário (alguém que quer descobrir); o ROT-13 protege contra o leitor distraído — é a diferença entre uma porta com cadeado e uma porta com a placa "não entre".
- Chave pública = sem segredo: todo mundo sabe que é 13 — se todos conhecem a regra, não existe confidencialidade.
- Quebra em 30 segundos: ou aplicam 13 de novo (a tabela acima) ou testam as 26 chaves — pessoas não testam, máquinas testam (milissegundos).
- Mesmo assim ele cumpre o papel: ninguém precisa de AES-256 para esconder um spoiler — é proteção proporcional ao risco: obstáculo honesto, não defesa.
Dinâmica de 5 minutos: ① Escreva na lousa o texto cifrado FCBVYRE e peça que alguém
leia — a turma monta a troca com a tabela acima e aparece SPOILER. ② Pergunte em seguida: "e se
ninguém quiser usar tabela, apenas quiser ler?" → lê de qualquer jeito. ③ Classifiquem juntos:
é cifra ✅, é segurança ❌, é ofuscação ✅. ④ Conecte ao cripto.chat:
quem envia César com a chave viajando junto entrega à Sala ADM exatamente isso —
sem segredo real, não há proteção.
Erros comuns: "ninguém vai testar 26 chaves" → quem testa é a máquina; "chave 5000 seria segura?" → só existem 26 chaves de verdade (o resto é a divisão por 26).
3.2 Cifra de Vigenère — em detalhes
A Cifra de Vigenère é uma evolução da César: em vez de um único deslocamento N para toda a mensagem, ela usa uma palavra-chave e cada letra da chave dá um deslocamento diferente para a letra correspondente do texto — é como rodar várias Césares em sequência, cada uma com seu próprio N. A chave é repetida até cobrir o texto inteiro ("CHAVE" vira "CHAVECHAVE...").
A B C D E F G H I J K L M 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 N O P Q R S T U V W X Y Z 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25
Como usar: em Vigenère, cada letra da chave indica o deslocamento da letra correspondente do texto (ex.: chave "CHAVE" → C=2, H=7, A=0, V=21, E=4). Em César, é o próprio N (0 a 25) que vale para todas as letras. Atenção com dígitos: o dígito NÃO vale o seu número. Digitar "1" não desloca 1 casa, desloca 10 — porque o cálculo usa o código ASCII do caractere (49 − 65 = −16 → 10), não o valor numérico. Tabela completa dos dígitos:
Dígito: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Rotação: 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Exemplo (texto "ATACAR", chave "CHAVE"): a chave se repete como CHAVEC e cada letra do texto é deslocada pela letra da chave correspondente:
Texto: A T A C A R Chave: C H A V E C Cifra: C A A X E T
Para decifrar, basta deslocar para trás com a mesma chave — é por isso que se chama simétrica. O clássico exemplo da literatura é "LEMON" com chave "KEY" → "VIKYR".
Por que é mais forte que a César: como o deslocamento varia letra a letra, a frequência de cada letra no idioma (que denuncia a César em milissegundos) fica embaralhada — não há mais uma única letra "mais comum".
Por que ainda é fraca: se a chave for curta ou repetida, a análise de Kasiski descobre o tamanho da chave; aí o texto se divide em colunas e cada coluna vira uma César independente, quebrável por força bruta (26 tentativas por coluna). Chaves longas e pouco repetitivas são essenciais.
- A chave: letras (e dígitos, nesta demonstração). Chaves maiores e mais variadas aumentam a segurança; repetir "AAAA" é equivalente a uma César.
- Dígitos na chave: o deslocamento de um dígito é calculado pelo seu código de caractere, não pelo seu valor — por isso o '1' desloca 10 posições, não 1. É uma particularidade desta implementação.
- Caracteres não-letras no texto: espaços, números e pontuação passam inalterados e não consomem letra da chave.
- Nesta demonstração: a chave viaja junto com a mensagem (criptografia simétrica), por isso a Sala ADM consegue decifrar o que você enviar com Vigenère — em uma cifra de verdade, a chave jamais viajaria junto.
Linha-mestre: "A Vigenère não apaga os padrões — ela os espalha por várias Césares." Em português, letras como A, E e O aparecem muito. Na César, a letra mais frequente do texto cifrado denuncia o deslocamento. Na Vigenère, letras iguais podem virar símbolos diferentes — mas, com chave curta, o padrão reaparece a cada N letras e volta a ser quebrável.
- Chave repetida = Césares intercaladas: cada posição da chave é uma César própria. Separar o texto em colunas (uma por letra da chave) devolve o ataque de frequência.
- Kasiski: trechos repetidos no cifrado denunciam o período da chave — descoberto o tamanho, cada coluna cai como uma César de 26 tentativas.
- A conta do A = 0: some a posição da letra do texto com a da chave, aplique módulo 26 e volte para o alfabeto. É exatamente a tabela de correspondência desta seção.
- Dígitos: o '1' desloca 10, não 1 — a máquina usa o código do caractere. Ótimo exemplo de que o computador segue o código, não a nossa intuição.
Dinâmica de 5 minutos: ① Cifrem "ATAQUE AO AMANHECER" com a chave "CHAVE" e listem as letras do resultado. ② Mostrem que, com a chave "AAAA", o resultado vira uma César comum e cai na hora. ③ Com uma chave curta (ex.: "CH"), separem as colunas e quebrem cada uma como César. ④ Fechem com a conexão ao app: a chave viaja junto, então a Sala ADM decifra — variar o deslocamento ajuda, mas não resolve o problema da chave.
Erros comuns: "Vigenère é inquebrável" → cai com chave curta e Kasiski; "chave longa vira AES" → continua sendo substituição polialfabética, não um padrão moderno.
3.3 XOR (OU exclusivo) — em detalhes
A operação XOR (OU exclusivo) é a base de muitos sistemas modernos de criptografia. Ela compara cada bit da mensagem com o bit correspondente da chave: se forem diferentes, o resultado é 1; se forem iguais, é 0. É o "ou exclusivo" — exclui o caso em que ambos são 1.
Tabela-verdade do XOR:
A B | A XOR B 0 0 | 0 0 1 | 1 1 0 | 1 1 1 | 0
Exemplo (texto "oi", chave "chave"): a chave se repete e cada letra do texto é combinada bit a bit com a letra da chave. O resultado (0–255) pode não ser um caractere imprimível, por isso a saída é codificada em Base64 para transporte seguro:
Texto: o (111) i (105) Chave: c (99) h (104) XOR: 12 1 → "oi" cifrado fica "DAE=" (Base64)
Propriedade autoinversa: aplicar XOR duas vezes com a mesma chave restaura o original — cifrar e decifrar são o mesmo passo, como no ROT-13. Por isso, a mesma chave serve para os dois sentidos.
Por que é forte e fraca ao mesmo tempo:
- Forte: se a chave for tão longa quanto a mensagem e usada uma única vez (one-time pad), o XOR é matematicamente inquebrável — é o único esquema com segurança perfeita comprovada.
- Fraca na prática: reutilizar a mesma chave (ou usar chave curta) revela padrões — quem conhece um trecho do texto (ou a chave) recupera o resto (ataque por reutilização de chave).
- A chave: qualquer texto não vazio (ex.: minha-chave). Chaves mais longas e variadas aumentam a segurança.
- Caracteres: a implementação opera byte a byte (charCode 0–255); a saída é sempre Base64, garantindo transporte seguro.
- Nesta demonstração: a chave viaja junto com a mensagem (criptografia simétrica), por isso a Sala ADM consegue decifrar o que você enviar com XOR — em uma cifra de verdade, a chave jamais viajaria junto.
Linha-mestre: "XOR é o detector de diferença: responde 1 quando os bits são diferentes e 0 quando são iguais." Analogia: dois interruptores ligados à mesma lâmpada — ela acende só quando um está ligado e o outro desligado (daí o "exclusivo").
- Autoinverso: aplicar duas vezes com a mesma chave volta ao original, como no ROT-13. Por isso um único passo serve para cifrar e decifrar.
- Base64 não é criptografia: é transporte (bytes → texto imprimível). "DAE=" não é "mais seguro" que "oi" — é o mesmo dado com outra roupa.
- One-time pad: chave do tamanho da mensagem e usada uma única vez = segurança perfeita. Reutilizar é fatal: C1 ⊕ C2 = T1 ⊕ T2 — as chaves se cancelam e sobra a combinação dos dois textos.
- Byte a byte: a implementação usa charCode 0–255; o resultado pode cair em caracteres de controle — por isso a saída é sempre Base64.
Dinâmica de 5 minutos: ① Cifrem "oi" com "chave" e confiram a tabela-verdade bit a bit. ② Cifrem duas mensagens diferentes com a mesma chave. ③ Façam XOR dos dois textos cifrados e mostrem que as chaves se cancelam, sobrando o rastro dos textos originais. ④ Conectem ao app: a chave viaja junto, então a Sala ADM decifra — XOR só é forte com chave única e do tamanho da mensagem.
Erros comuns: "XOR é criptografia forte" → só no one-time pad; "Base64 esconde o conteúdo" → não esconde nada; "chave longa resolve" → se for reutilizada, continua quebrável.
3.4 AES-256 — em detalhes
O AES (Advanced Encryption Standard) é o padrão mundial de criptografia simétrica desde 2001, quando o NIST escolheu o algoritmo Rijndael após um concurso público. Ele não trabalha com "letras": opera em blocos de 128 bits (16 bytes) e usa uma chave de 128, 192 ou 256 bits. O AES-256 — o mais forte — faz 14 rodadas de embaralhamento, em que cada byte passa por substituições, permutações e combinações com a chave.
Comparação das variantes:
Variante Chave Rodadas AES-128 128 bits (16 bytes) 10 AES-192 192 bits (24 bytes) 12 AES-256 256 bits (32 bytes) 14
O modo GCM: o AES sozinho só cifra blocos. O modo GCM (Galois/Counter Mode) transforma isso em criptografia autenticada: além de esconder o conteúdo, ele gera uma etiqueta de autenticação que detecta qualquer alteração. Se um único bit do texto cifrado for mudado, a decifração falha — ninguém consegue "editar" a mensagem no caminho sem ser notado.
Da senha à chave (PBKDF2): uma senha humana não tem 256 bits de aleatoriedade. Por isso o app usa PBKDF2 com 100 mil iterações de SHA-256 e um salt aleatório para derivar a chave. O salt impede tabelas prontas (rainbow tables) e as iterações tornam cada tentativa de adivinhação cara. O IV (12 bytes) é aleatório por mensagem: reutilizar o mesmo IV com a mesma chave quebraria a segurança.
Formato da mensagem cifrada nesta demonstração:
v1 . salt(Base64) . iv(Base64) . ciphertext+tag(Base64)
O salt e o IV não são segredos — podem viajar junto com a mensagem. O segredo é a senha/chave. É por isso que, na Sala ADM, a mensagem aparece decifrada: nesta demo a chave viaja junto com o texto cifrado (criptografia simétrica). Em um sistema real, a chave seria combinada por outro canal (ou por criptografia assimétrica, como o E2E com RSA) e o servidor veria apenas o ciphertext.
Por que é forte:
- Padrão mundial: protege HTTPS, bancos, celulares, VPNs e arquivos — é o algoritmo mais estudado do mundo.
- Sem ataque prático: a força bruta em AES-256 exigiria testar 2256 chaves — inviável com qualquer computador conhecido.
- Autenticado (GCM): detecta alterações e impede ataques de manipulação do texto cifrado.
- Salt + IV + PBKDF2: cada mensagem é diferente mesmo com a mesma senha; a senha não vira chave diretamente.
- O elo mais fraco continua sendo a senha: o AES não conserta uma senha curta ou óbvia ("123456"). O PBKDF2 atrasa a tentativa, mas não a torna impossível — a segurança real depende da qualidade da senha.
Linha-mestre: "O AES não troca letras: ele embaralha blocos de bytes 14 vezes seguidas, e a chave define a mistura." Analogia: uma máquina de lavar com 14 ciclos — cada ciclo mistura mais; sem a chave, não se desfaz a mistura.
- Simétrico × assimétrico: o AES usa a mesma chave para cifrar e decifrar; o RSA usa um par público/privado. É por isso que o app tem o E2E: o RSA resolve o problema de combinar a chave.
- GCM = lacre: se um único bit do texto cifrado mudar, a decifração falha — o GCM garante integridade, não só sigilo.
- PBKDF2 + salt + IV: o PBKDF2 alonga a senha; o salt é o "tempero" único por mensagem (mata rainbow tables); o IV único evita repetição de padrão.
- 2256 ≈ 1077: comparável ao número de átomos do universo observável (~1080) — boa escala para o "inviável" da força bruta.
- O elo é a senha: AES-256 com "123456" cai por dicionário, não por quebrar o AES.
Dinâmica de 5 minutos: ① Cifrem uma frase e troquem uma letra do texto cifrado. ② Mostrem que a decifração falha (GCM detectou a alteração). ③ Comparem o tamanho do cifrado com o texto (salt + IV + etiqueta). ④ Fechem com a pergunta: "se a chave viaja junto, de que adianta o AES?" — a Sala ADM responde: de nada, contra quem vê a mensagem passar.
Erros comuns: "AES é invencível, então tanto faz a senha" → o elo é a senha; "salt e IV são secretos" → não são; "AES garante anonimato" → garante confidencialidade e integridade, não anonimato.
3.5 E2E — RSA-2048 (ponta a ponta)
E2E (end-to-end, "ponta a ponta") é a criptografia em que só o remetente e o destinatário leem a mensagem — nem o servidor. Para isso ela usa criptografia assimétrica: cada pessoa tem um par de chaves, uma pública (pode ser distribuída abertamente) e uma privada (nunca sai do computador de quem recebe).
Analogia — a caixa de correio: a chave pública é a fenda da caixa: qualquer um pode depositar uma carta, mas só quem tem a chave privada abre a caixa para ler. Você pode divulgar sua chave pública na praça — ela só serve para fechar, não para abrir.
Como funciona nesta demonstração:
- No login, o navegador gera um par RSA-2048 (OAEP + SHA-256).
- A chave pública é publicada no servidor; a privada fica no
localStoragedo seu navegador e nunca é enviada. - Ao enviar, a mensagem é cifrada com a chave pública de cada destinatário (inclusive a sua), em blocos de 190 bytes.
- Ao receber, cada um decifra com a própria chave privada. O servidor só vê o texto cifrado.
Simétrica × assimétrica:
Simétrica (César, Vigenère, XOR, AES) Assimétrica (RSA / E2E) 1 chave cifra e decifra 2 chaves: pública (cifra) e privada (decifra) A chave precisa ser combinada antes A chave pública pode ser divulgada Rápida Mais lenta (por isso o AES cuida do volume)
Por que o E2E é o mais forte aqui: a Sala ADM vê apenas o ciphertext — não existe chave no servidor para abrir a mensagem. É a diferença entre "trancar a porta e entregar a chave junto" (simétrica) e "trancar a porta e guardar a única chave no seu bolso" (E2E).
Limites importantes (para não vender ilusão):
- Metadados: o servidor ainda vê quem fala com quem e quando — o E2E protege o conteúdo, não o anonimato.
- Confiança na chave pública: se o servidor trocar a chave pública por outra, ele poderia interceptar (ataque MITM). Por isso apps reais usam verificação de chaves/identidade.
- Sem forward secrecy: a mesma chave privada decifra mensagens antigas; se ela vazar, o histórico também vaza.
- localStorage é uma simplificação didática: em produção, a chave privada ficaria em armazenamento seguro (keychain/HSM).
Linha-mestre: "a chave pública é a fenda da caixa; a privada é a chave que abre a caixa." Qualquer um deposita, só o dono lê — e o carteiro (servidor) não consegue abrir.
- O problema que o E2E resolve: na cifra simétrica, remetente e destinatário precisam combinar a mesma chave antes — e, se ela viaja pela rede, o servidor a vê. O par público/privado elimina essa combinação prévia.
- Por que RSA não cifra tudo: é lento. Na prática, usa-se criptografia híbrida: o RSA combina uma chave AES, e o AES cifra o volume.
- Metadados continuam visíveis: o E2E esconde o conteúdo, mas o servidor ainda sabe quem enviou, para quem e quando — anonimato é outro problema.
- O ponto fraco é a confiança: se a chave pública for trocada no caminho, o atacante lê tudo (MITM). A criptografia sozinha não prova de quem é a chave.
Dinâmica de 5 minutos: ① Dois alunos trocam "chaves públicas" (cartões com um cadeado desenhado) e guardam a "privada" (um cartão secreto). ② Um cifra uma mensagem com a pública do outro. ③ O professor faz o papel de servidor e tenta ler — não consegue. ④ O professor então troca a chave pública por uma falsa e mostra o MITM: a mensagem vai para ele. ⑤ Fechem: E2E protege o conteúdo, mas exige confiar em quem entrega as chaves.
Erros comuns: "E2E = anonimato" → não, metadados aparecem; "E2E dispensa senha" → a chave privada é o segredo; "RSA cifra arquivos grandes" → na prática é híbrido com AES.
3.6 ECC — curvas elípticas (ECDH P-256)
ECC (Elliptic Curve Cryptography) é a família de criptografia assimétrica usada pelos sistemas modernos:
TLS 1.3, Signal/WhatsApp, iMessage e Bitcoin. Em vez de números gigantes (como no RSA), ela trabalha com pontos de
uma curva elíptica sobre um campo finito, na forma y² = x³ + ax + b (mod p). Aqui usamos a curva
P-256 (também chamada secp256r1), com chaves de apenas 256 bits.
Por que chaves tão menores? A segurança não vem do tamanho da chave, mas do problema matemático por trás: no RSA, é fatorar números enormes; no ECC, é o logaritmo discreto em curvas elípticas — dado um ponto público, descobrir o multiplicador secreto é inviável. Com ~256 bits, o ECC oferece segurança comparável ao RSA de ~3072 bits.
Segurança aproximada RSA ECC 112 bits RSA-2048 P-224 128 bits RSA-3072 P-256 192 bits RSA-7680 P-384
ECDH — o segredo que ninguém transmite: cada lado tem um par (privada, pública). O remetente combina a sua privada com a pública do destinatário; o destinatário combina a sua privada com a pública do remetente. Os dois chegam ao mesmo segredo — e ele nunca viajou pela rede.
Analogia das tintas: ambos começam com a mesma tinta pública (amarela). Alice mistura um segredo só dela (azul) e envia a mistura; Bob mistura um segredo só dele (vermelho) e envia a dele. Cada um adiciona o próprio segredo à mistura do outro e ambos chegam ao mesmo tom final. Quem intercepta vê só as misturas — separar as cores é o problema difícil.
Na prática, o ECC não cifra a mensagem: ele só combina chaves. O segredo derivado vira uma chave AES-256-GCM (via HKDF) que cifra o texto. Isso é criptografia híbrida — a mesma ideia do TLS e do WhatsApp (que usa X25519, uma curva mais moderna; aqui usamos P-256 pela compatibilidade do navegador). Nesta demo, cada mensagem usa uma chave efêmera (ECIES), então o segredo é diferente a cada envio.
Limites desta demonstração:
- P-256, não X25519: o WhatsApp usa Curve25519; a Web Crypto padroniza P-256 — o conceito é o mesmo.
- Sem Double Ratchet: não há renovação contínua de chaves nem "post-compromise security" (o Signal tem).
- Chave privada no localStorage: simplificação didática; em produção ficaria em armazenamento seguro.
- Metadados visíveis: o servidor vê quem fala com quem e quando, mesmo sem ler o conteúdo.
Linha-mestre: "os dois chegam à mesma cor misturando o próprio segredo à mistura do outro — e quem só vê as misturas não consegue separar as cores."
- O problema que o ECDH resolve: combinar um segredo sem transmiti-lo — a mesma dor da chave simétrica viajando junto.
- Por que ECC é menor e mais rápido: cada bit de segurança "rende" muito mais; ideal para celular e para o volume de conexões da internet.
- Híbrido: o ECDH combina a chave; o AES cifra o volume. É assim no TLS 1.3 e no WhatsApp.
- O ponto fraco: a confiança na chave pública (MITM) e os metadados — a matemática não resolve esses dois sozinha.
Dinâmica de 5 minutos: ① Dê a cada aluno uma "tinta pública" (amarela) e uma "tinta secreta" (azul/vermelha). ② Cada um mistura e troca a mistura com um colega. ③ Cada um adiciona sua tinta secreta à mistura recebida — todos chegam à mesma cor. ④ Um "espião" tenta separar as cores: não consegue. ⑤ Fechem mostrando que o WhatsApp faz isso com curvas elípticas, e o AES entra depois para cifrar o texto.
Erros comuns: "ECC é só para Bitcoin" → está no TLS e no WhatsApp; "chave de 256 bits é fraca" → equivale a ~RSA-3072; "o ECDH cifra a mensagem" → ele deriva a chave; quem cifra é o AES.
4. A Sala ADM
A Sala ADM representa o ponto de vista do servidor. Tudo que passa pelo servidor é visível aqui.
- Sem criptografia: O servidor vê a mensagem em texto claro (verde na ADM).
- Com criptografia: O servidor vê apenas o texto cifrado (vermelho na ADM).
5. Conceitos Importantes
- Texto Claro (Plaintext): Mensagem original, legível.
- Texto Cifrado (Ciphertext): Mensagem após criptografia, ilegível.
- Chave: Segredo usado para criptografar/descriptografar.
- Ataque de Força Bruta: Tentar todas as chaves possíveis.